Portugal Lisboa
A capital portuguesa é uma mistura de cidade pequena
e metrópole. Bem no centro de Lisboa, é comum encontrar ruas
espremidas e casarios antigos com as tradicionais roupas penduradas nos
varais, lençóis gigantescos, camisas, calças, toalhas... O bairro da
Alfama, por exemplo, tem um colorido inconfundível que é a cara de
Portugal. Por outro lado, também é uma cidade ampla, com ruas largas,
praças, parques e construções modernas. O interessante é conhecer
esses dois lados de Lisboa e entender um pouco este estilo de vida,
bastante diferente do restante da Europa e muito semelhante ao nosso.
A cidade é repleta de atrações. Em Belém, a
famosa Torre de Belém às margens do rio Tejo é belíssima tanto
durante o dia, quanto à noite. Encomendada por Manuel I, a torre foi
erguida para ser uma fortaleza no meio do Tejo a partir de 1515. A
construção situava-se, no passado, mais distante da costa e era um
marco para os navegadores que regressavam a Lisboa. A Torre de Belém
tornou-se símbolo da era expansionista de Portugal.
Seguindo ainda pela margem, encontra-se o avião
usado por Gago Coutinho na primeira travessia do Oceano Atlântico. Mais
adiante fica o Monumento aos Descobrimentos, construído em 1960 para
homenagear os 500 anos da morte do patrono dos navegadores, conhecido
como Henrique, o Navegador. Ele é representado pela primeira escultura
do monumento. Na face leste, é possível ver Vasco da Gama (o terceiro)
e Pedro Álvares Cabral (o quinto, que está com a barba mais longa). No
chão um enorme painel mostra as rotas dos descobrimentos dos
portugueses nos séculos XV e XVI.
Ainda em Belém, há o Museu Nacional dos Coches (que
abriga as carruagens do período monárquico português), o Museu da
Marinha (dentro do Mosteiro dos Jerônimos) e o próprio mosteiro, uma
construção considerada o ápice da arquitetura manuelina. O mosteiro
foi erguido a partir de 1501, após o retorno de Vasco da Gama das
Índias, e financiado, em grande parte, pelos lucros do comércio de
especiarias, pedras preciosas e ouro. É nele que estão os túmulos do
navegador Vasco da Gama e de algumas pessoas da família real
portuguesa, entre eles o do rei Manuel I e o de sua esposa Dona Maria.
Na rua de Belém, a poucos metros do Mosteiro dos
Jerônimos, fica a famosa confeitaria Pastéis de Belém que desde 1837
produz os legítimos pastéis homônimos, um doce que não tem nada a
ver com os nossos pastéis brasileiros, mas que é uma delícia. Parece
uma empada folhada recheada com creme de baunilha, servida com um toque
de canela. O lugar é concorridíssimo e vende diariamente mais de 10
mil pastéis. Inacreditável! Realmente é muito gostoso, vale a pena
provar...
A Praça do Comércio, também conhecida entre os
lisboetas como Terreiro do Paço, abrigou durante 400 anos o palácio
real. Manuel I transferiu a residência real do Castelo de São Jorge
para esse local em 1511. O primeiro palácio acabou destruído no
terremoto de 1755 que devastou várias cidades, mas a mais atingida foi
Lisboa. Três tremores de terra reduziram grande parte da cidade a
ruínas. Além disso, incêndios e inundações provocadas por grandes
ondas formadas no rio Tejo foram responsáveis pela morte de cerca de 15
mil lisboetas. Carvalho e Melo restaurou a ordem e iniciou o
planejamento de reconstrução do país. Sua inegável eficiência lhe
proporcionou um enorme prestígio político, recebendo mais tarde o
título de Marquês de Pombal. Uma belíssima praça em Lisboa leva o
nome do marquês.
Voltando à Praça do Comércio, outro palácio foi
construído no lugar do que foi demolido. O lugar era uma grandiosa
porta de entrada da cidade de Lisboa, à beira do rio Tejo, usada pela
realeza e por embaixadores. Foi aqui que em 1908 o rei Carlos e seu
filho Luís Felipe foram assassinados. A praça também foi palco do
primeiro levante que resultou na Revolução dos Cravos, movimento
armado que pôs fim ao governo de Marcelo Caetano, sucessor do ditador
Salazar que ficou 40 anos no poder.
Comece um passeio pelo centro de Lisboa pelo Arco do
Triunfo, na Praça do Comércio (mais detalhes sobre a praça ver em
Lisboa (parte I). Siga pela rua Augusta até a Praça do Pedro IV,
também chamada de praça do Rossio. Neste caminho, você encontrará a
poucos metros à direita ruas que levarão até a Sé (catedral de
Lisboa, construída em 1150 para o primeiro bispo de Lisboa). Seguindo
algumas quadras, à esquerda, fica o belo Elevador Santa Justa (parecido
com o elevador Lacerda, que existe em Salvador na Bahia). Passeie
calmamente pelos bairros do centro da cidade, como a Baixa, o Bairro
Alto e o Chiado (bairro elegante, onde os lisboetas mais abastados fazem
as suas compras).
Da Praça da Figueira é possível observar o Castelo
de São Jorge no alto. Ele que já foi a moradia dos monarcas
portugueses, serviu mais tarde como teatro, prisão e arsenal. Depois do
terremoto de 1755, o castelo ficou em ruínas tendo sido reconstruído a
partir de 1938.
O Museu Nacional do Azulejo funciona no Convento
Madre de Deus e apresenta painéis decorativos, azulejos individuais e
fotografias que abordam a técnica, uma herança dos mouros, desde a sua
introdução, passando pela influência espanhola até o desenvolvimento
de estilos tipicamente portugueses.
O Parque das Nações é um grandioso complexo criado
para a Expo 98 (última exposição mundial do século XX) e abriga o
Oceanário de Lisboa, o segundo maior do mundo, entre outras atrações.
O lugar é incrível!!! Permite que o visitante se sinta um exímio
mergulhador explorando os oceanos.
Para ver e conhecer os 15 mil animais e plantas de
mais de 450 espécies diferentes é preciso pelo menos duas horas. Logo
na entrada, se vê um grande aquário chamado “oceano global” (que
pode ser visto de qualquer ponto do oceanário), com 5 milhões de
litros de água salgada. O aquário gigante abriga animais de grande
porte e velocidade, como raias, tubarões de dar medo e peixes de
cardume como cavalas e xaréus. Para sustentar tanta água, a parede de
acrílico tem 27 centímetros de espessura. O interessante é observar
esses animais por alguns minutos. É fascinante...
O sistema de transporte de Lisboa não pode ser
considerado um dos melhores da Europa, já que a rede de metrô é
pequena e os ônibus e bondes não costumam respeitar horários. Mas de
qualquer forma é a maneira mais cômoda para se conhecer a cidade.